LongevidadeNível de evidência: C

MOTS-c

Peptídeo mitocondrial estudado em modelos para metabolismo e resistência. Evidência humana inicial.

Ficha rápida

Categoria
Longevidade
Meia-vida
Não estabelecida com precisão
Status ANVISA
Não registrado para uso humano
Faixa de dose citada
250–1000 mcg
Vial típico
5 mg

Ficha técnica

Classe
Peptídeo derivado da mitocôndria (mitocina) — categoria metabólica
Fórmula
C101H152N28O22S2
Peso molecular
2174,59 g/mol
Sequência
MRWQEMGYIFYPRKLR

Principais achados

  • Foi um dos primeiros peptídeos identificados como codificados pelo DNA mitocondrial em vez do DNA nuclear, revelando que a mitocôndria atua como organela sinalizadora ativa, e não apenas como geradora de energia.
  • Ativa a via da AMPK e aumenta a captação de glicose no músculo esquelético, reproduzindo parte das assinaturas metabólicas do exercício, o que lhe rendeu o rótulo de mimético do exercício.

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Como funciona

O MOTS-c (sigla derivada de "Mitochondrial ORF of the 12S rRNA-c") pertence a uma classe incomum de moléculas: os chamados peptídeos derivados da mitocôndria, ou mitocinas. Diferentemente da imensa maioria das proteínas celulares, que são codificadas pelo DNA do núcleo, este peptídeo de 16 aminoácidos (sequência MRWQEMGYIFYPRKLR) é codificado dentro da própria região do RNA ribossomal 12S do genoma mitocondrial. Descrito pela primeira vez em 2015, ele foi o primeiro peptídeo de sinalização mitocondrial demonstrado a migrar para o núcleo da célula e influenciar diretamente a expressão de genes nucleares, configurando uma forma de comunicação retrógrada que vai da mitocôndria de volta ao genoma.

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Perguntas frequentes

O que torna o MOTS-c diferente dos demais peptídeos?

Ele é codificado dentro do genoma mitocondrial (na região do RNA ribossomal 12S), e não no DNA do núcleo, como acontece com a maioria esmagadora das proteínas. Foi o primeiro peptídeo mitocondrial descrito a migrar para o núcleo e influenciar a expressão de genes nucleares, inaugurando o conceito de comunicação retrógrada da mitocôndria para o genoma. Posteriormente, outros peptídeos da mesma família, como a Humanina, foram identificados.

Por que ele é chamado de mimético do exercício?

Porque a administração exógena em animais reproduz várias assinaturas moleculares do exercício de endurance: ativação da AMPK em diferentes tecidos, maior oxidação de ácidos graxos, melhora da eficiência mitocondrial e aumento de marcadores de biogênese mitocondrial. Em humanos, seus níveis circulantes também sobem durante a atividade física. Ainda assim, o termo é mecanístico e não significa substituto da atividade física, já que o peptídeo não reproduz adaptações cardiovasculares, neuromusculares, de densidade óssea nem os benefícios psicológicos do exercício.

Os níveis de MOTS-c caem com a idade?

Estudos observacionais sugerem que sim. Em uma medição sérica com 781 pessoas, indivíduos mais velhos apresentaram concentrações cerca de 40% menores que adultos jovens, e essa queda acompanhou redução de massa muscular, piora da sensibilidade à insulina e aumento de gordura corporal. Curiosamente, centenários saudáveis exibiram níveis mais altos que controles pareados, o que levanta a hipótese de associação com longevidade excepcional. Por se tratar de dado correlacional, não é possível afirmar relação de causa e efeito.