PerformanceNível de evidência: C

Kisspeptina

Kisspeptina-10 · KP-10 · Metastina

Regulador-mestre do eixo reprodutivo, estudado em fertilidade e função hormonal.

Ficha rápida

Categoria
Performance
Meia-vida
~3 min
Status ANVISA
Em estudo (não registrado)

Ficha técnica

Classe
Metabólico / Neuropeptídeo (ligante endógeno do GPR54/KISS1R)
Fórmula
C63H83N17O14
Peso molecular
1302,44 g/mol
Sequência
Tyr-Asn-Trp-Asn-Ser-Phe-Gly-Leu-Arg-Phe-NH2

Principais achados

  • A kisspeptina é o interruptor mestre da puberdade humana: mutações com perda de função em KISS1 ou no receptor GPR54/KISS1R causam ausência completa de maturação sexual e infertilidade.
  • Por via intravenosa, gera aumentos de LH de até cerca de 50 vezes acima do basal, sendo o estimulador conhecido mais potente do eixo reprodutivo humano.

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Como funciona

A kisspeptina é uma família de neuropeptídeos hipotalâmicos codificada pelo gene KISS1. Esse gene produz um precursor de 145 aminoácidos (também chamado metastina), que é clivado em diferentes formas C-terminalmente amidadas: kisspeptina-54, kisspeptina-14, kisspeptina-13 e kisspeptina-10. Todas elas compartilham o mesmo decapeptídeo C-terminal — a kisspeptina-10 — que é a sequência mínima suficiente para ativar o receptor GPR54, também conhecido como KISS1R. Esse receptor é um GPCR acoplado à proteína Gq/11 expresso nos neurônios produtores de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) no hipotálamo.

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Perguntas frequentes

Por que a kisspeptina é considerada tão importante para a reprodução?

Porque ela ocupa o topo do eixo hipotálamo-hipófise-gônada: seus neurônios no núcleo arqueado geram o 'gerador de pulsos' que comanda a liberação episódica de GnRH ao longo de toda a vida reprodutiva. Sem sinalização funcional da kisspeptina — como ocorre em mutações de perda de função no gene KISS1 ou no receptor GPR54/KISS1R — não há puberdade nem fertilidade. Esses neurônios também integram sinais de metabolismo, estresse e fotoperíodo, decidindo quando a reprodução é apropriada.

Quais são as diferenças entre as várias formas de kisspeptina?

O gene KISS1 codifica um precursor de 145 aminoácidos (metastina) que é clivado em kisspeptina-54, -14, -13 e -10. Todas compartilham o mesmo decapeptídeo C-terminal (a kisspeptina-10), que é a sequência mínima capaz de ativar o receptor GPR54. A kisspeptina-54 é a forma circulante predominante em humanos e tem meia-vida mais longa (cerca de 26 minutos IV), enquanto a kisspeptina-10 é o fragmento ativo mais curto, com meia-vida de aproximadamente 3 minutos IV. Por isso, em pesquisa, a forma -54 costuma ser preferida para o gatilho na FIV e a -10 para protocolos de infusão pulsátil.

Por que peso corporal e nutrição afetam a kisspeptina?

Os neurônios de kisspeptina recebem diretamente sinais da leptina, o hormônio que reflete as reservas de gordura. Quando há perda de peso acentuada ou inanição, os níveis de leptina caem e a expressão de kisspeptina no núcleo arqueado diminui drasticamente, reduzindo os pulsos de GnRH e podendo levar a anovulação ou disfunção reprodutiva. Esse é o mecanismo proposto por trás da supressão da fertilidade em atletas em déficit energético (RED-S), em quadros de anorexia e em pessoas extremamente magras. Restaurar o balanço energético tende a recuperar a leptina e, com ela, a sinalização da kisspeptina.