EstéticaNível de evidência: B

GHK-Cu

Cobre-peptídeo

Complexo cobre-peptídeo com evidência cosmética para pele e cicatrização (uso tópico).

Ficha rápida

Categoria
Estética
Meia-vida
Meia-vida plasmática curta (cerca de 105 min); efeitos teciduais persistem por mais tempo
Status ANVISA
Uso cosmético tópico permitido
Faixa de dose citada
1000–2000 mcg
Vial típico
50 mg

Ficha técnica

Classe
Antienvelhecimento (tripeptídeo-cobre)
Fórmula
C14H23CuN6O4
Peso molecular
403,92 g/mol
Sequência
Gly-His-Lys-Cu

Principais achados

  • Uma análise de microarranjo gênico baseada no Connectivity Map do Broad Institute identificou modulação de cerca de 4.128 genes pelo GHK-Cu, o equivalente a aproximadamente 32% do genoma humano.
  • O cobre não é apenas estrutural: ele é essencial para a atividade enzimática e reguladora do peptídeo, e a forma livre, sem cobre, tem função biológica bastante reduzida.

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Como funciona

O GHK-Cu é um complexo entre o tripeptídeo glicil-L-histidil-L-lisina (Gly-His-Lys) e o íon de cobre (Cu²⁺), formando uma estrutura estável na proporção 1:1. Isolado pela primeira vez do plasma humano por Pickart em 1973, ele ocorre naturalmente no organismo e funciona menos como um composto isolado e mais como um sistema de entrega de cobre direcionado a locais de dano tecidual. O ponto central do seu mecanismo é que o cobre não é um elemento meramente estrutural: ele é indispensável para a atividade enzimática e reguladora do peptídeo. Estudos indicam que a forma livre, sem o cobre acoplado, apresenta capacidade de modulação gênica acentuadamente reduzida. O tripeptídeo GHK possui uma das maiores afinidades conhecidas entre moléculas biológicas pelo Cu²⁺, e ao transportá-lo de forma quelada disponibiliza o metal para enzimas dependentes de cobre como a lisil oxidase (envolvida na ligação cruzada de colágeno e elastina), a citocromo c oxidase (metabolismo energético) e a superóxido dismutase (defesa antioxidante).

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Perguntas frequentes

Por que o cobre é tão importante para a ação do GHK?

Porque o íon de cobre (Cu²⁺) participa diretamente da função biológica do peptídeo, e não apenas da sua estrutura. O cobre é cofator de enzimas como a lisil oxidase (ligação cruzada de colágeno e elastina), a citocromo c oxidase (metabolismo energético) e a superóxido dismutase (defesa antioxidante). O GHK tem uma das maiores afinidades conhecidas pelo Cu²⁺ entre moléculas biológicas e atua como um transportador, levando o cobre de forma quelada até os tecidos. Estudos indicam que o peptídeo sem cobre tem atividade moduladora de genes muito menor.

O que significa o GHK-Cu modular mais de 4.000 genes?

Em uma análise de 2012 usando o banco Connectivity Map do Broad Institute, observou-se modulação de cerca de 4.128 genes, ou aproximadamente 32% do genoma humano. O padrão é coordenado: genes ligados a reparo de DNA, síntese de colágeno e respostas anti-inflamatórias tendem a ser ativados, enquanto genes associados a destruição tecidual e senescência são suprimidos. Isso sugere que o peptídeo poderia atuar como um sinal amplo de reorganização da expressão gênica, mas é importante frisar que a tradução clínica desse achado in vitro ainda não está estabelecida em humanos.

O GHK-Cu realmente diminui com a idade e isso importa?

Sim. As concentrações plasmáticas em humanos são de cerca de 200 ng/mL por volta dos 20 anos e caem para aproximadamente 80 ng/mL por volta dos 60 anos. Essa redução acompanha a perda natural da capacidade de reparo tecidual, a menor densidade de colágeno na pele e o aumento de marcadores inflamatórios com o envelhecimento. Contudo, se a administração suplementar de GHK-Cu compensa de fato esse declínio em humanos ainda não foi confirmado em ensaios clínicos randomizados de grande porte — trata-se, por ora, de uma correlação que motivou bastante interesse de pesquisa.