RecuperaçãoNível de evidência: C

LL-37

Catelicidina · hCAP18

Peptídeo antimicrobiano humano (catelicidina) com efeitos imunomoduladores estudados.

Ficha rápida

Categoria
Recuperação
Meia-vida
Curta; suscetível à degradação proteolítica
Status ANVISA
Não registrado para uso humano

Ficha técnica

Classe
Peptídeo antimicrobiano catelicidina (CAS 154947-66-7)
Fórmula
C205H340N60O53
Peso molecular
4493,33 g/mol
Sequência
LLGDFFRKSKEKIGKEFKRIVQRIKDFLRNLVPRTES

Principais achados

  • Único peptídeo antimicrobiano da família das catelicidinas produzido por humanos, atuando como uma das primeiras linhas de defesa da imunidade inata.
  • Mata microrganismos por ruptura física da membrana via atração eletrostática, um mecanismo ao qual as bactérias têm grande dificuldade de desenvolver resistência, ao contrário do que ocorre com antibióticos de alvo único.

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Como funciona

A LL-37 é o único representante humano da família das catelicidinas, um grupo de peptídeos antimicrobianos. Ela não é sintetizada como produto final: surge do recorte enzimático da proteína precursora hCAP18 (de cerca de 18 kDa, codificada pelo gene CAMP) por serino-proteases presentes nos grânulos dos neutrófilos e nas superfícies epiteliais. O fragmento liberado tem 37 aminoácidos e começa com dois resíduos de leucina, origem do nome "LL-37". Em contato com membranas bacterianas, essa cadeia assume uma conformação de alfa-hélice anfipática e catiônica, ou seja, com carga positiva distribuída de forma que um lado da hélice é hidrofóbico e o outro polar. Essa carga é o que direciona o peptídeo, por atração eletrostática, às membranas microbianas ricas em componentes negativamente carregados, como o lipopolissacarídeo (LPS) das bactérias Gram-negativas e o ácido teicoico das Gram-positivas.

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Perguntas frequentes

Por que é mais difícil as bactérias desenvolverem resistência à LL-37 do que aos antibióticos?

Porque o alvo da LL-37 é a própria membrana bacteriana, e não uma proteína ou enzima específica. As cargas positivas do peptídeo se ligam aos fosfolipídios negativamente carregados da membrana, abrindo poros e provocando a lise da célula. Como os antibióticos convencionais atacam alvos pontuais (como enzimas de síntese da parede celular ou ribossomos), basta uma mutação genética para que a bactéria escape. Reorganizar toda a arquitetura da membrana para resistir à ruptura física é muito mais custoso, embora a literatura registre que alguns microrganismos conseguem resistência parcial reduzindo a carga negativa de sua superfície.

Qual é a relação entre a vitamina D e a LL-37?

O gene da LL-37/hCAP18 possui um elemento de resposta à vitamina D (VDRE) em sua região promotora. Quando a forma ativa da vitamina D (1,25-di-hidroxivitamina D3) se liga ao receptor de vitamina D em células imunes e epiteliais, a transcrição do gene da LL-37 é estimulada. Esse é um dos mecanismos mais bem caracterizados que ligam o status de vitamina D à função imune, e ajuda a explicar por que a deficiência de vitamina D é associada a maior suscetibilidade a infecções respiratórias e de pele em estudos observacionais.

A LL-37 já é usada como medicamento ou substituto de antibióticos?

Não. Segundo o material consultado, a LL-37 é enquadrada como composto para uso exclusivo em pesquisa laboratorial e não tem aprovação para uso humano por nenhuma agência reguladora. Apesar de demonstrar atividade contra bactérias resistentes em ensaios in vitro e em modelos animais, nenhuma aplicação terapêutica como substituto de antibiótico foi aprovada até agora. Os candidatos derivados dela, como fragmentos inalados para infecções pulmonares resistentes, permanecem em fases iniciais de desenvolvimento.